segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Uma pequena homenagem ao meu avô querido


Sábado, dia 06 de agosto, recebemos uma notícia triste. Assim que acabamos de almoçar, minha mãe ligou, dizendo que meu avô havia falecido. Senti um misto de sentimentos, certo alívio (porque sabia que aquela agonia de 14 dias de UTI e muito sofrimento havia acabado) e uma tristeza profunda por imaginar que não chegaria em sua casa e o veria pela janela, sentadinho em frente a TV, sorrindo feliz com nossa visita. Também imaginava minha avó, sofrendo sem a companhia do seu eterno namorado, 64 anos de uma vida a dois, cheia de conquistas e companheirismo. Pensava também na minha mãe, meus tios e toda a família, vamos sentir uma imensa saudade. E confesso, pensei no meu casamento, como eu gostaria que ele me visse entrar na Igreja Nossa Senhora de Fátima (de quem ele era devoto) e levasse as alianças junto com minhas avós, como tínhamos combinado.

Ainda assim, pensando em tantas coisas, não consegui chorar, estava ainda assimilando a notícia. Peguei minhas coisas e fomos até o hospital, eu, meu pai e o Fernando. Encontramos minha mãe muito abatida, a abraçamos forte e fomos com ela até a casa dos meus avós.

Chegando lá desabei, olhando para cada pedaço daquela casa, onde ele nasceu e de onde nunca quis sair, durante seus 92 anos. Seu carro na garagem, impecável. Lembrei das muitas buzinas sempre que ele chegava lá em casa, de todas as vezes em que ele me buscou na escola, sempre orgulhoso e muito disposto. Olhei para o chalé, a casa em que morei até meus 10 anos, cuidado sempre com tanto zelo, com tanto amor. Olhei o quintal, as árvores das frutas que colhi, a pitangueira que ele adorava, cheia de flores. As plantas, as flores, tudo arrumadinho, tudo sempre muito bem cuidado. Sentei na pedra em que tanto brinquei quando criança e chorei.

Entrando na casa dele, lembrei da vez que chegamos lá, recentemente, e o vimos em cima de uma escada, pendurando as luzes de Natal. Lembrei das vezes em que ele veio abrir a porta, ou que estava metodicamente limpando ou arrumando algo ou tomando seu aperitivo diário, antes do almoço, sempre bem alinhado e cheiroso. Olhei a pia da cozinha e lembrei-me dele, dizendo para não lavarmos a louça, porque ele gostava de fazê-lo. Ou das vezes em que terminei de secar a pia e ele veio novamente, secar tudo de novo, para ficar impecável. Vi o cuco na parede, vi a mesa do almoço. Lembrei das tantas vezes que almoçamos juntos, do seu prato colorido e saudável, do seu respeito à hora das refeições.

Vi a sala de TV, seu lugarzinho predileto no sofá, sua cachorrinha aguardando que ele retornasse. Suas prateleiras com as fotos dos filhos e netos formandos, quanto orgulho ele tinha! Esperei anos pra ter minha foto ali e como fico feliz em ter dado tempo! Seu escritório, sua organização, ali ninguém podia mexer. A mesa com seus documentos, com fotos e reportagens de jornal, suas apostas da Mega Sena. A sala de jantar com mais fotos, a sala de estar onde todo Natal havia presentes e mais presentes empilhados sob o sofá, ninguém ficava sem, ele e minha avó entregavam um por um com tanto carinho.

Brinquei tanto naquela casa, ouvi tantas histórias, recebi tanto carinho. Eu nunca soube demonstrar muito meus sentimentos, mas sei que ele sabe o quanto eu o amo, lá do lugar lindo onde ele está.

Não há revolta, pois Deus não nos tirou nada. Ele nos deu a graça de conviver com uma pessoa especial. Concedeu 92 anos de vida plena ao meu avô e me presenteou com 25 anos de convivência com ele. Nosso Vô Zuzu não se foi, ele está aqui a cada vez que pensamos nele, a cada frase dele que repetimos, a cada pequena lembrança que surge em nossa memória, a cada sorriso nosso.

A despedida foi bonita, muitas flores, homenagens, muita gente triste, sentindo por não termos mais a presença física dele conosco. Mas havia uma leveza no ar, uma certeza de que sua vida foi plena e feliz. Ele estava com o terno que havia escolhido para ir ao meu casamento, lindo e de bom gosto, como ele sempre foi.

Vôzinho, fique tranqüilo, pois aqui continuaremos repetindo tudo aquilo que nos ensinaste, sempre com muito JU-Í-ZO! E aí de cima, continue olhando por nós. Teu “broto” e toda esta família linda que construíste sentirão imensamente tua falta.

17 comentários:

Isabela Vital disse...

Minhas sinceras condolências...
Espero que Deus conforte vocês e que o tempo faça da tristeza uma saudade boa de carregar.
Abraços

Isabela Vitl

Gra disse...

Lamento mucho la pérdida de tu abuelo, pero él seguirá vivo para siempre en tu pensamiento y en tu corazón. Ahora te quedan miles de lindos recuerdos para el futuro.
Un abrazo fuerte.

Pai disse...

Linda homenagem, o vô merece sempre ser lembrado com muita alegria e orgulho
Um beijo do seu pai
Tarcísio

Claudia Pech disse...

Não sei muito o que dizer, mas adoro vir aqui e comentar as coisas lindas que tu fazes e compartilhas...hoje me deparei com este post e fiquei emocionada...fique bem!

Bjos

Claudia Pech

Gigi disse...

chorei...lembrei dos meus avós e de todo o carinho que esses anjos nos dão qdo estão aqui conosco....sei que meus avós e o seu esta agora em um lugar muito superior que esse em que estamos vivendo só de passagem.....minha sincera condolência....e que Deus conforte o seu coração e da sua família....
bjossssss

Helena disse...

Consegui acompanhar e lembrar contigo cada pedacinho dessa história, Ana. Ele era (e continuará sendo) uma pessoa especial. Beijos, Helena.

Rita disse...

Ola minha querida
Ao ler o seu post nao pude deixar de lembrar o momento em que perdi o meu avô. No momento da noticia o coração parece que parou, eu estava na faculdade a fazer um exame quando chegou a minha noticia, eu e minha amigas tinhamos combinado uma festa para comemorar o terminar de um ano de trabalho, tal nao aconteceu.
O momento em que dasabei foi ao olhar a minha avó nos olhos, aí tudo caiu nos meus pés, minha avó nunca foi muito carinhosa comigo mas naquele momento me deu um abraço muito forte que valeu por todos os anos de minha vida.
Já faz alguns anos que meu avô se foi sei tudo o que estas a sentir e só tenho mais uma coisa para te dizer, agora doi muito mas vai passar e um dia só vais sentir saudades e quando lembrares dele vais rir das coisas boas, depois ate podes chorar mas já não vai doer e vai ser uma lembrança muito boa.

Beijos e muita força

Ana Maria Nunes disse...

Meus sentimentos! Rezarei por seu avô e por todos vcs, bj

Maria Elisa Máximo disse...

Prima, linda. Você emocionou a família inteira com seu texto. Uma homenagem digna, para um dos homens mais dignos que já conhecemos. Querida, você nos orgulha com essa manifestação tão sincera e bem feita de sentimentos e memórias. Memórias das quais todos nós compartilhamos. Obrigada por ser quem você é e por fazer parte da nossa vida. Beijos no seu coração, com amor.

Tia Vavá disse...

Aninha,lindas as tuas palavras e assim mesmo era e é o nosso queridinho.O teu jeitinho de demonstrar os sentimentos desde pequeninha sempre foram puros e verdadeiros, no teu jeito tão meigo de ser, no teu dom de fazer tudo com tanto capricho e perfeição, no carinho com que vc.sempre tratou o Vô e a Vó e todos da família. Vc. foi sempre muito presente na vida deles e issso os enchia de alegria e orgulho.Obrigada minha afilhada por estas palavras tão lindas e confortantes, uma demonstração do carinho e bondade que. vc. tem no coração. Muitos bjos e te amo muito!

Nádia ® disse...

Oi ! Sou amiga da Tia Vavá, e estive acompanhando a história do seu avô contada com muito carinho por ela...
Parabéns pelo post,que bela homenagem!
Bjo

Nádia
http://meinnonsense.blogspot.com/

Teresa Aparecida de Aquino Soranso disse...

Chorei... sua homenagem foi muito, muito especial, de coração. Ele com certeza sabe que foi muito amado.
Vim avisar que vou postar as fotos do meu presente, que amei de paixão e já estou usando.
Um beijo muito especial e uma semana cheia de amor.

Ilaine disse...

Ana!

Venho lá da Teresa que me indicou o caminho até você.

Sinto muito pela perda de seu avô. Sinta-se por mim acrinhada e amparada. Envio daqui muita força para você.

Ana, seu texto é emocionante e você escreve muito bem! Beijo

Liliane de Paula disse...

Ana Júlia, essa dor de perda êh terrível. E não tem remédio. Infelizmente.
Essas lembranças, doces lembranças, também dói muito. E a gente tem que conviver com ela. As vezes, a gente nem sabe como.

Marcia Dias disse...

Lamento sua perda... é irreperável! Lendo o post chorei lembrando do meu pai que se vivo fosse no dia 3 de agosto estaria aniversariando e com certeza, aqui em casa, seria dia de risos e festa com muita falação, assim é minha família. Ana, força porque a saudade maltrata mas, com as boas lembranças encontramos estímulo para continuar e seguir em frente... uma ordem de Deus não se questiona, né mesmo? Obrigada por compartilhar um momento tão íntimo e pessoal... seu vozinho com certeza ficou vaidoso com a homenagem. Um beijo linda.

M. Brayner disse...

Bem, as palavras não surgem tão fácil neste momentos, acho que por isso relutei tanto em comentar, mas fiquei inquieta e resolvim vir aqui deixar um abraç, pois acho que isto é a unica coisa que cabe neste momento....fiquem com Deus.


marta

Ilma Ramos Duarte disse...

Estou chorando. Beijos.

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